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Fujifilm X system no Millennium Estoril Open 2019

Vamos começar por deixar claro que a Fuji­film X‑T3 é sem margem para dúvi­das uma excep­cional câmara todo-o-ter­reno, ide­al para o fotó­grafo que um dia está a faz­er reportagem social, no out­ro tra­bal­ho de estú­dio e ter­mi­na a sem­ana a faz­er a cober­tu­ra de um even­to desporti­vo (indoor ou out­door). Equiparan­do-se ou, mes­mo supe­ri­or­izan­do-se às câmaras da con­cor­rên­cia, o sis­tema da Fuji­film desta­ca-se pelo peso infe­ri­or e pelo preço que chega a ser menos de metade do das mar­cas con­cor­rentes.

A Ideia

Nas últi­mas 5 edições do Mil­len­ni­um Esto­ril Open, a Jlpress tem tido pre­sença con­stante na sala de impren­sa em todos os dias do torneio, fazen­do a cober­tu­ra dos jogos e procu­ran­do reunir um port­fo­lio de ima­gens de todos os jogadores.

Nas ante­ri­ores edições sem­pre tra­bal­hamos com o sis­tema Canon EOS (EOS 1D MK II N e objec­ti­vas da serie L, Nomeada­mente a 70 – 200 F4 e a 24 – 105 F4).

Em Novem­bro de 2018 decidi­mos faz­er um upgrade ao equipa­men­to e, depois de estu­dar bem todas as pos­si­bil­i­dades que o mer­ca­do nos ofer­e­cia, opta­mos pela Fuji­film e pelo seu sis­tema X. A nos­sa escol­ha ini­cial recaiu na X‑T2 com a objec­ti­va 18 – 55 F2.8/4.

Quan­do chegou a altura de nos envolver­mos na preparação do Mil­len­ni­um Esto­ril Open (algo que começamos a faz­er cer­ca de 3 meses antes do even­to) pro­puse­mos à Fuji­film um desafio: Tes­tar a nova X‑T3 num even­to desporti­vo de alto nív­el, no ter­reno, em situ­ação real e em situ­ações lim­ite que pori­am as per­for­mances da nova câmara fotográ­fi­ca à pro­va.

Mais, seri­amos, como se veio a ver­i­ficar, a úni­ca equipa de reportagem pre­sente na sala de impren­sa e no ter­reno de jogo com Fuji­film.

A Fuji­film Por­tu­gal acol­heu a ideia de braços aber­tos. Os dados estavam lança­dos.

Na altura do even­to foi-nos colo­ca­do à dis­posição um cor­po X‑T3, uma objec­ti­va XF 100 – 400 F4.5/5.6 R LM OIS WR e uma objec­ti­va XF 10 – 24 F4OIS. Este foi o mate­r­i­al que nos pare­ceu reunir as mel­hores condições para uma equipa de reportagem; dig­amos, o kit ini­cial para enfrentar um even­to destes.

Este equipa­men­to pode ain­da ser com­ple­men­ta­do com a objec­ti­va XF 50 – 140 F2.8 R LM OIS WR. No caso de fotó­grafos que se dediquem a desporto indoor (pavil­hão) a tro­ca da XF 100 – 400 pela XF 50 – 140 poderá ser uma opção a con­sid­er­ar. Por indisponi­bil­i­dade de mate­r­i­al não foi pos­sív­el tes­tar­mos a XF 50 – 140.

Configurações

O livro de instruções da câmara é claro, a uti­liza­ção do Obtu­rador Eletróni­co (OE) em situ­ações onde o objec­to se mova rap­i­da­mente den­tro do enquadra­men­to, pode ger­ar dis­torções da imagem. Mes­mo assim, quise­mos com­pro­var e resolve­mos exper­i­men­tar. O resul­ta­do foram algu­mas ima­gens com clara dis­torção da raque­te e da bola, algu­mas, como a que mostramos aqui, não nos deixaram qual­quer dúvi­da sobre a impos­si­bil­i­dade de uti­liza­ção do OE.

O livro de instruções da câmara é claro, a uti­liza­ção do Obtu­rador Eletróni­co (OE) em situ­ações onde o objec­to se mova rap­i­da­mente den­tro do enquadra­men­to, pode ger­ar dis­torções da imagem. Mes­mo assim, quise­mos com­pro­var e resolve­mos exper­i­men­tar. O resul­ta­do foram algu­mas ima­gens com clara dis­torção da raque­te e da bola, algu­mas, como a que mostramos aqui, não nos deixaram qual­quer dúvi­da sobre a impos­si­bil­i­dade de uti­liza­ção do OE.

Mil­len­ni­um Esto­ril Open 2019, Qual­i­fy­ing,

Com o OE fora das nos­sas opções ficamos “lim­i­ta­dos” ao obtu­rador mecâni­co e às suas 11 fps que como ver­e­mos mais à frente se mostraram mais que sufi­cientes.

Out­ro aspec­to impor­tante nas con­fig­u­rações é a definição do parâmetro Redução da Oscilação para NÃO. A razão é sim­ples; quan­do este parâmetro está acti­vo, a veloci­dade de dis­paro é con­sid­er­av­el­mente reduzi­da.

Out­ras mod­i­fi­cações que con­sid­er­amos impor­tantes para a redução do con­sumo e max­i­miza­ção da per­for­mance foram: Desli­gar a visu­al­iza­ção da imagem e desli­gar o LCD (ape­nas visu­alizar pelo view find­er (VF)).

Com estas especi­fi­cações e emb­o­ra exista um atra­so na imagem do view find­er, ele é prati­ca­mente imper­cep­tív­el.

O equi­lib­rio dos bran­cos foi definido como automáti­co (a nos­sa exper­iên­cia ante­ri­or com a X‑T2 dava garan­tias do resul­ta­do), o ISO andou quase sem­pre entre os 1600 e 6400, sendo que em situ­ações mais difi­ceis chegou mes­mo aos 12800. Rara­mente foi util­isa­do um iso infe­ri­or a 1600. A veloci­dade de obtu­ração escol­hi­da pref­er­en­cial­mente foi 1/8000s para con­ge­lação de movi­men­tos a aber­tu­ra nun­ca abaixo de F5.6, mas pref­er­en­cial­mente, mais per­to de F8, para opti­mizar a pro­fun­di­dade de cam­po.

A objec­ti­va XF 100 – 400 tem esta­bi­lizador de imagem (o cor­po X‑T3 não pos­sui esta­bi­liza­ção de imagem) que esteve sem­pre acti­vo. O Rui Elias fotografou sem­pre sem mono-pé fazen­do uso inten­si­vo da esta­bi­liza­ção ofer­e­ci­da pela objec­ti­va. Já eu, usei sem­pre o mono-pé. A eficá­cia da esta­bi­liza­ção de imagem foi uma das van­ta­gens que o Rui mais salien­tou.

Quan­to às con­fig­u­rações de foco foram uti­lizadas todas as con­fig­u­rações pos­síveis. Foco no pon­to (difer­entes taman­hos), foco na zona (difer­entes taman­hos) e foco de ras­treio. A X‑T2 e X‑T3 pos­suem ain­da a pos­si­bil­i­dade de escol­her o modo all.

Dos 3 mod­os disponíveis o que mostrou mais efi­caz foi o foco à zona com taman­ho inter­mé­dio. Curiosa­mente quan­do opta­mos pelo modo All a focagem tornou-se quase sem fal­has. Muito ráp­i­da e pre­cisa.

Resultados em Imagens

Começamos jus­ta­mente pelo foco e nitidez. as ima­gens apre­sen­tadas na gale­ria que se segue não tem qual­quer cor­reção. Mes­mo aque­las que o pro­gra­ma de edição de imagem pode­ria auto­mati­ca­mente imple­men­tar, foram anu­ladas. Os resul­ta­dos saltam à vista.

Ruido a ISO elevado, diferença claro escuro com pouca luz.

O Jogo que Frances Tiafoe dis­putou no dia 30 de Abril tin­ha todas as condi­cio­nantes para um bom desafio à X‑T3 com a XF 100 – 400.

O jogo real­iza­do já depois das 18 horas, acon­te­cia numa altura do dia onde a luz nat­ur­al começa­va a escassear e a arti­fi­cial ain­da não esta­va lig­a­da. Para além dis­so o tom de pele de Frances, por ser negro, absorve mui­ta luz e cria difi­cul­dades na medição da exposição para a câmara. a Câmara foi uti­liza­da com o sis­tema de medição matri­cial.

A foto de João Domingues foi tira­da na con­fer­ên­cia de impren­sa a 12.800 ISO. Com ela pre­tende-se demon­strar o baixo nív­el de ruí­do patente na imagem, con­sideran­do o ele­va­do ISO uti­liza­do. Chamamos a atenção para a qual­i­dade dos por­menores patentes na imagem.

Imagens em sequência

Nas ima­gens que se seguem pre­tendemos mostrar dois aspec­tos: a capaci­dade de colo­cação da bola den­tro do enquadra­men­to no maior número de ima­gens e a capaci­dade de o foco acom­pan­har essas mes­mas ima­gens. Nas ima­gens que se seguem pre­tendemos mostrar dois aspec­tos: a capaci­dade de colo­cação da bola den­tro do enquadra­men­to no maior número de ima­gens e a capaci­dade de o foco acom­pan­har essas mes­mas ima­gens.

A capaci­dade de colo­car a bola den­tro do enquadra­men­to não depende só do mate­r­i­al com que tra­bal­hamos, mas muito do dedo/olhar do fotó­grafo e da posição escol­hi­da. Ambas estas condi­cio­nantes estavam resolvi­das à par­ti­da, pois tan­to o Rui Elias, como eu, já reuni­mos exper­iên­cia quan­to baste para que estes dois aspec­tos não sejam pos­tos em causa.

Na sequên­cia aci­ma, em que João Sousa bate a bola, esta­mos colo­ca­dos exac­ta­mente no can­to opos­to ao jogador. A dis­tân­cia focal uti­liza­da é de 227mm. a bola aparece em três ima­gens estando foca­da na primeira, no lim­ite do foco na segun­da e fora de foco na ter­ceira. Em todas as cin­co ima­gens o jogador está foca­do.

Na sequên­cia que se segue, esta­mos do mes­mo lado do cam­po de Pablo Cuevas e ligeira­mente atrás da sua posição em cam­po. Encon­tramo-nos muito próx­i­mos do jogador e a dis­tân­cia focal usa­da foi de 100mm. Nes­tas cir­cun­stân­cias a cap­tação da bola é mais difí­cil. Neste caso a imagem foi real­iza­da a 1/6400s que em cer­tas cir­cun­stân­cias, pode tornar per­cep­tív­el algum arras­ta­men­to da bola.

Cuevas encon­tra-se foca­do em todas as imagem. A bola surge na segun­da e ter­ceira fotografia. Não estando per­feita­mente níti­da, mas parece-nos dev­i­do ao arras­ta­men­to.

Na últi­ma sequên­cia que apre­sen­ta­mos, volta­mos a estar no can­to opos­to de Ste­fanos Tsit­si­pas. A dis­tân­cia focal é de 219mm e Tsit­si­pas encon­tra-se foca­do em todas as ima­gens. a bola surge em 4 das 5 ima­gens mostradas, encon­tran­do-se foca­da nas ima­gens 2 e 3.

Conclusões

Muito bem; é ver­dade que a a Fuji­film XT‑3 (mes­mo a X‑T2) não se pode bater com uma Canon EOSDX (MKII). Se é um fotó­grafo cujo o tra­bal­ho é, dig­amos 85%, desporto de acção; se o seu bud­get é ilim­i­ta­do e se o peso do mate­r­i­al que car­rega é desprezív­el; então, a Fuji­film X‑T3 não é para si.

No entan­to se um ou mais dos três req­ui­si­tos aci­ma men­ciona­dos não se cumprir, então a Fuji­film X‑T3 com­ple­men­ta­da por qual­quer das opti­cas Fuji­non do sis­tema X que estão à dis­posição do mer­ca­do, é a sua opção mais acer­ta­da.

O sis­tema con­segue com o preço que é prat­i­ca­do, por à dis­posição do fotó­grafo avança­do, recur­sos próprios de câmaras profis­sion­ais e, à dis­posição do profis­sion­al, os recur­sos que neces­si­ta sem que, para isso ten­ha que estourar com o seu orça­men­to.

Para além do preço, é extrema­mente leve. A min­ha actu­al X‑T2 com objec­ti­va mon­ta­da, pesa metade do cor­po da min­ha EOS 1D MKII N (que guardei como recor­dação).

Acred­item que o fac­tor peso é muito impor­tante. Sobre­tu­do quan­do o nos­so tra­bal­ho nos obri­ga a con­stantes deslo­cações a pé, por ter­renos nem sem­pre muito ami­gos do fotó­grafo.

Em 9 dias de Mil­len­ni­um Esto­ril Open,Fuji­film X‑T3 real­i­zou 27724 dis­paros, lev­ou com ven­to e pó nor­mais num even­to ao ar-livre que decorre em ter­ra bati­da e nem por um só momen­to nos fal­hou. Mais, uma das nos­sas maiores pre­ocu­pações, o con­sumo de bate­rias, acabou por nem ser um prob­le­ma. De fac­to, não hou­ve um úni­co dia em que esgo­tasse duas bate­rias e mes­mo quan­do era necessário mudá-las em pleno jogo, o proces­so rev­el­ou-se muito sim­ples. Sub­lin­he-se que em todos os dias a X‑T3 esteve sujei­ta a um trata­men­to inten­si­vo.

Na min­ha opinião, a questão do sen­sor ser um APS‑C e não um Full Frame (FF), con­tin­ua a ser uma fal­sa questão, ou se preferirem uma questão de mar­ket­ing.

A qual­i­dade das ima­gens a ISO ele­va­do não são jus­ti­fi­cação para a opção por uma FF. Pelo menos se a alter­na­ti­va for a Fuji­film X‑T3 (ou mes­mo a X‑T2). Mes­mo para fotografia arquitetóni­ca, onde o espaço pode ser lim­i­ta­do, a Fuji­film con­segue dar respos­ta através da sua objec­ti­va XF 8 – 16 F2.8 R. Objec­ti­va dis­pendiosa? Sim, mas o con­jun­to da X‑T3 com a XF 8 – 16 f2.8 R, ain­da assim, fica con­sid­er­av­el­mente mais bara­to do que a alter­na­ti­va de uma Canon 5D MK IV com a Canon EF 11 – 24 F4 L(cer­ca de 6000€ o con­jun­to) ou a Sig­ma 12 – 24 F4 DG HSM ART (cer­ca de 4500€ o con­jun­to).

A questão da ergono­mia da máquina não foi prob­le­ma. Tan­to eu como o Rui Elias temos mãos grandes e ambos nos adap­ta­mos bem e sen­ti­mos con­fortáveis. Hou­ve cole­gas que exper­i­men­ta­ram e queixaram-se que sobravam “dois dedos de mão”. Sem prob­le­ma! A uti­liza­ção do pun­ho VG-XT3, para além de mel­ho­rar a ergono­mia, trás um acrésci­mo de ener­gia ao per­mi­tir jun­tar duas bate­rias à que a máquina já pos­sui (sim as 3 fun­cionam em con­jun­to).

Logo, em nos­sa opinião e face à exper­iên­cia acu­mu­la­da a Fuji­film X‑T3 é uma alter­na­ti­va a con­sid­er­ar muito seri­amente. Seja um fotografo que está a ini­ciar car­reira, ou um fotó­grafo a pen­sar num upgrade de mate­r­i­al.

Uma nota final para os serviços de assistên­cia presta­dos pela PM2S Ibéria.

A min­ha Fuji­film X‑T2 seguiu para a manutenção necessária após um even­to destes. Revisão ger­al e limpeza. Seguiu via cor­reio para o Por­to na terça-feira de man­hã e voltou na sex­ta antes do almoço. Limpa, revista e pronta para o que se segue. Serviço de excelên­cia.

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