Fotografia Profissional

João Lamares começou a fotografar aos 17 anos de idade, ainda nos anos 80. O seu primeiro mestre foi Fernando Paiva, um fotógrafo mais velho seu amigo. Com ele aprendeu técnica fotográfica, revelação do filme e a técnica de passagem a papel em preto e branco. A primeira máquina fotográfica foi uma Pentax K1000, com duas objetivas: uma 50mm F2 e uma 200mm F4, ambas importadas dos EUA e pagas com o dinheiro ganho num verão de trabalho numa empresa da família, em 1979.

Os seus primeiros ídolos foram Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau, Willis Ronis e, do outro lado do atlântico, Ansel Adams com o seu sistema de zonas. Em 1995 decidiu dar asas ao seu sonho de desenvolver a fotografia a nível profissional. Nesse sentido, iniciou uma formação de 4 anos, dedicada ao estudo da fotografia nas suas diferentes vertentes: reportagem, retrato, estúdio (fotografia publicitária, fotografia de produto, iluminação, retrato, moda, produto, efeitos especiais), moda, paisagem e interiores. Para além da leitura de inúmeros livros técnicos, maioritariamente internacionais, tornou-se leitor assíduo da revista Chasseur d’Images, publicação que lhe despertou enorme curiosidade e muito impulsionou a sua formação.

Nesta fase, a influência francófona manifestou-se sobretudo com o acompanhamento dos trabalhos de Jean-François Jonvelle e Jean-Loup Sieef, que acabaram por marcar significativamente o estilo de João Lamares. No início do ano de 1999, na sequência de um convite para um trabalho publicitário, inicia a sua atividade profissional. O seu primeiro estúdio foi em casa, num quarto com todos os materiais de iluminação construídos por si (caixas de luz, refletores, fundos e demais estruturas). Hoje poucos documentos restam desses tempos, seminais na sua carreira. Por essa altura realizou também as primeiras duas exposições, ambas a preto e branco com motivos urbanos, um misto de fotografia de rua e paisagem.

Ainda no norte do país e já como profissional, João colabora em várias revistas institucionais, realiza fotografias para várias campanhas publicitárias (a mais significativa foi o lançamento do Metro do Porto) e colabora com a Siemens Portugal, sob o patrocínio da qual faz uma exposição fotográfica (preto e branco) sobre o Douro Vinhateiro, que inaugura o Fórum Siemens no Porto. No final de 2005, João Lamares realizou um outro sonho e passou alguns dias em África. Aí fotografou vida selvagem no Kruger Park, na África do Sul, e a vida dos habitantes da ilha de Inhaca, em Moçambique. As fotos de Moçambique foram a base para uma nova exposição, em Lisboa.

João mudou-se para Lisboa em meados de 2006 e, por influência da sua mulher, começou a fotografar moda. Iniciou com editoriais em nome próprio, tanto em estúdio, já convenientemente equipado, como no exterior e rapidamente se tornou colaborador do blog Fashion Heroines, realizando trabalhos para estilistas portugueses como Carlos Gil e José António Tenente. Em 2016 funda a JLPress, um órgão de comunicação dedicado a alguns desportos e às conquistas portuguesas a nível internacional. Por problemas na captação de pessoal qualificado, a JLPress assume gradualmente o modelo de um site de notícias, vocacionado para o automóvel e desporto motorizado. Durante a sua existência e funcionamento, João Lamares exerce em full-time as funções de diretor editor-chefe, respondendo pela linha editorial e idoneidade da notícia. Devido à crise da pandemia, a JLPress suspendeu temporariamente a sua atividade.

Atualmente, João Lamares é colaborador residente da Galeria de Arte Colorida, para a qual fotografa os cocktails de inauguração há mais de 10 anos. O seu trabalho está sobretudo orientado para a reportagem de eventos desportivos, nomeadamente hipismo, desportos motorizados e vela. No entanto, os projetos artísticos de cariz pessoal nunca se afastam muito da sua mente, crente que são uma parte essencial na sua fotografia e o âmago da sua expressão artística.

Texto de José Alberto Pereira