Fotografia Profissional
Ligier JS11 – JS11/15 (1979-1980)

Ligier JS11 – JS11/15 (1979-1980)

O Ligier JS11 marcou uma importante viragem na equipa francesa: Após várias épocas a correr com motor Matra, a Ligier adoptou o motor Ford Cosword DFV, mais leve, mais compacto e mais fiável.

Estávamos na época dos carros asa, ou carros com efeito de solo, e juntamente com os Ferrari 312 T4 e os Williams FW07, os Ligier JS11 prometiam ser um dos fortes candidatos ao titulo de 1979. Na verdade começaram a ganhar logo nos primeiros dois grandes prémios pela mão de Jacques Laffite e com a vitória de Patrick Depailler em Espanha, o piloto francês assumiu o primeiro lugar no campeonato de pilotos (empatado com Villeneuve da Ferrari) e a segunda posição no campeonato de construtores. No entanto Laffite abandonara já três vezes seguidas…

Ligier JS 11-JS 11/15 de Didier Pironi no Autódromo do Estoril

O carro concebido por Gérard Ducarouge era de tal forma eficiente na criação do efeito de solo (“downforce”) que o chassis de alumínio não aguentava as altas pressões geradas, dando origem a torções que descolavam as abas laterais do solo e faziam com que o efeito solo se perdesse. A equipa não foi capaz de resolver o problema a tempo e Jacques Lafitte acabou em quarto lugar do campeonato atrás de Scheckter e Vileneuve (Ferrari) e de Alan Jones (Williams).

Patrick Depailler sofre um acidente grave de asa delta, nas mediações de Clermont-Ferrand (onde vivia), fraturando as duas pernas e deixa a equipa entregue, primeiro a Jacky Ickx que não se deu bem com o carro, e mais tarde, a Didier Pironi que viria a ficar com o lugar de Deppailler que em 1980 se mudou para a Alfa Romeo. A Ligier termina o campeonato no terceiro lugar entre os construtores, atrás da Ferrari e Williams.

Ligier JS 11-JS 11/15 de Didier Pironi no Autódromo do Estoril

Em 1980 a equipa consegue “resolver” o problema de excesso de “downforce”. Na verdade Ducarouge implementou um sistema de aberturas moveis (Clapet na sua designação de origem) colocadas por baixo dos radiadores e que permitiam aliviar da pressão excessiva gerada pelo sistema aerodinâmico. O sistema consistia num conjunto de abas existentes nos túneis de passagem do ar por baixo dos radiadores do carro que, mediante determinada pressão, se abriam e permitiam que a força por baixo do chassis fosse aliviada, evitando torções e o descolamento das abas laterais do solo. No entanto a força resultante do efeito de solo ainda era muita e o esforço passou a ser suportado pelas suspensões que com o decorrer do tempo começaram a ceder, levando à desistência de pelo menos um dos seus pilotos, em oito das catorze corridas da época. Ainda assim a Ligier logrou terminar o campeonato de 1980 em segundo lugar, atrás da Williams. Laffite terminou a época, novamente em quarto e Pironi em 5º.

Patrick Deppailler acabaria por perder a vida nesse ano, quando nuns ensaios privados da Alfa Romeo em Hockenhein, sufreu um despiste fatal na curva Ost (Ostkurve do antigo circuito).

O sistema “Clapet”, como era constituído por peças aerodinâmicas móveis, era ilegal, e foi mantido em segredo pela equipa. Mais tarde foi descoberto por Giorgio Piola que conseguiu fotografar o sistema durante uma reparação do carro.

Desenho de Giorgio Piola, mostrando o sistema de Clapets por baixo do Ligier JS 11/15 (Ver o video)

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