Vamos come­çar por dei­xar cla­ro que a Fuji­film X‑T3 é sem mar­gem para dúvi­das uma excep­ci­o­nal câma­ra todo-o-ter­re­no, ide­al para o fotó­gra­fo que um dia está a fazer repor­ta­gem soci­al, no outro tra­ba­lho de estú­dio e ter­mi­na a sema­na a fazer a cober­tu­ra de um even­to des­por­ti­vo (indo­or ou out­do­or). Equi­pa­ran­do-se ou, mes­mo supe­ri­o­ri­zan­do-se às câma­ras da con­cor­rên­cia, o sis­te­ma da Fuji­film des­ta­ca-se pelo peso infe­ri­or e pelo pre­ço que che­ga a ser menos de meta­de do das mar­cas con­cor­ren­tes.

A Ideia

Nas últi­mas 5 edi­ções do Mil­len­nium Esto­ril Open, a Jlpress tem tido pre­sen­ça cons­tan­te na sala de impren­sa em todos os dias do tor­neio, fazen­do a cober­tu­ra dos jogos e pro­cu­ran­do reu­nir um port­fo­lio de ima­gens de todos os joga­do­res.

Nas ante­ri­o­res edi­ções sem­pre tra­ba­lha­mos com o sis­te­ma Canon EOS (EOS 1D MK II N e objec­ti­vas da serie L, Nome­a­da­men­te a 70 – 200 F4 e a 24 – 105 F4).

Em Novem­bro de 2018 deci­di­mos fazer um upgra­de ao equi­pa­men­to e, depois de estu­dar bem todas as pos­si­bi­li­da­des que o mer­ca­do nos ofe­re­cia, opta­mos pela Fuji­film e pelo seu sis­te­ma X. A nos­sa esco­lha ini­ci­al recaiu na X‑T2 com a objec­ti­va 18 – 55 F2.8/4.

Quan­do che­gou a altu­ra de nos envol­ver­mos na pre­pa­ra­ção do Mil­len­nium Esto­ril Open (algo que come­ça­mos a fazer cer­ca de 3 meses antes do even­to) pro­pu­se­mos à Fuji­film um desa­fio: Tes­tar a nova X‑T3 num even­to des­por­ti­vo de alto nível, no ter­re­no, em situ­a­ção real e em situ­a­ções limi­te que pori­am as per­for­man­ces da nova câma­ra foto­grá­fi­ca à pro­va.

Mais, seri­a­mos, como se veio a veri­fi­car, a úni­ca equi­pa de repor­ta­gem pre­sen­te na sala de impren­sa e no ter­re­no de jogo com Fuji­film.

A Fuji­film Por­tu­gal aco­lheu a ideia de bra­ços aber­tos. Os dados esta­vam lan­ça­dos.

Na altu­ra do even­to foi-nos colo­ca­do à dis­po­si­ção um cor­po X‑T3, uma objec­ti­va XF 100 – 400 F4.5/5.6 R LM OIS WR e uma objec­ti­va XF 10 – 24 F4OIS. Este foi o mate­ri­al que nos pare­ceu reu­nir as melho­res con­di­ções para uma equi­pa de repor­ta­gem; diga­mos, o kit ini­ci­al para enfren­tar um even­to des­tes.

Este equi­pa­men­to pode ain­da ser com­ple­men­ta­do com a objec­ti­va XF 50 – 140 F2.8 R LM OIS WR. No caso de fotó­gra­fos que se dedi­quem a des­por­to indo­or (pavi­lhão) a tro­ca da XF 100 – 400 pela XF 50 – 140 pode­rá ser uma opção a con­si­de­rar. Por indis­po­ni­bi­li­da­de de mate­ri­al não foi pos­sí­vel tes­tar­mos a XF 50 – 140.

Configurações

O livro de ins­tru­ções da câma­ra é cla­ro, a uti­li­za­ção do Obtu­ra­dor Ele­tró­ni­co (OE) em situ­a­ções onde o objec­to se mova rapi­da­men­te den­tro do enqua­dra­men­to, pode gerar dis­tor­ções da ima­gem. Mes­mo assim, qui­se­mos com­pro­var e resol­ve­mos expe­ri­men­tar. O resul­ta­do foram algu­mas ima­gens com cla­ra dis­tor­ção da raque­te e da bola, algu­mas, como a que mos­tra­mos aqui, não nos dei­xa­ram qual­quer dúvi­da sobre a impos­si­bi­li­da­de de uti­li­za­ção do OE.

O livro de ins­tru­ções da câma­ra é cla­ro, a uti­li­za­ção do Obtu­ra­dor Ele­tró­ni­co (OE) em situ­a­ções onde o objec­to se mova rapi­da­men­te den­tro do enqua­dra­men­to, pode gerar dis­tor­ções da ima­gem. Mes­mo assim, qui­se­mos com­pro­var e resol­ve­mos expe­ri­men­tar. O resul­ta­do foram algu­mas ima­gens com cla­ra dis­tor­ção da raque­te e da bola, algu­mas, como a que mos­tra­mos aqui, não nos dei­xa­ram qual­quer dúvi­da sobre a impos­si­bi­li­da­de de uti­li­za­ção do OE.

Mil­len­nium Esto­ril Open 2019, Qua­lifying,

Com o OE fora das nos­sas opções fica­mos “limi­ta­dos” ao obtu­ra­dor mecâ­ni­co e às suas 11 fps que como vere­mos mais à fren­te se mos­tra­ram mais que sufi­ci­en­tes.

Outro aspec­to impor­tan­te nas con­fi­gu­ra­ções é a defi­ni­ção do parâ­me­tro Redu­ção da Osci­la­ção para NÃO. A razão é sim­ples; quan­do este parâ­me­tro está acti­vo, a velo­ci­da­de de dis­pa­ro é con­si­de­ra­vel­men­te redu­zi­da.

Outras modi­fi­ca­ções que con­si­de­ra­mos impor­tan­tes para a redu­ção do con­su­mo e maxi­mi­za­ção da per­for­man­ce foram: Des­li­gar a visu­a­li­za­ção da ima­gem e des­li­gar o LCD (ape­nas visu­a­li­zar pelo view fin­der (VF)).

Com estas espe­ci­fi­ca­ções e embo­ra exis­ta um atra­so na ima­gem do view fin­der, ele é pra­ti­ca­men­te imper­cep­tí­vel.

O equi­li­brio dos bran­cos foi defi­ni­do como auto­má­ti­co (a nos­sa expe­ri­ên­cia ante­ri­or com a X‑T2 dava garan­ti­as do resul­ta­do), o ISO andou qua­se sem­pre entre os 1600 e 6400, sen­do que em situ­a­ções mais difi­ceis che­gou mes­mo aos 12800. Rara­men­te foi uti­li­sa­do um iso infe­ri­or a 1600. A velo­ci­da­de de obtu­ra­ção esco­lhi­da pre­fe­ren­ci­al­men­te foi 1/8000s para con­ge­la­ção de movi­men­tos a aber­tu­ra nun­ca abai­xo de F5.6, mas pre­fe­ren­ci­al­men­te, mais per­to de F8, para opti­mi­zar a pro­fun­di­da­de de cam­po.

A objec­ti­va XF 100 – 400 tem esta­bi­li­za­dor de ima­gem (o cor­po X‑T3 não pos­sui esta­bi­li­za­ção de ima­gem) que este­ve sem­pre acti­vo. O Rui Eli­as foto­gra­fou sem­pre sem mono-pé fazen­do uso inten­si­vo da esta­bi­li­za­ção ofe­re­ci­da pela objec­ti­va. Já eu, usei sem­pre o mono-pé. A efi­cá­cia da esta­bi­li­za­ção de ima­gem foi uma das van­ta­gens que o Rui mais sali­en­tou.

Quan­to às con­fi­gu­ra­ções de foco foram uti­li­za­das todas as con­fi­gu­ra­ções pos­sí­veis. Foco no pon­to (dife­ren­tes tama­nhos), foco na zona (dife­ren­tes tama­nhos) e foco de ras­treio. A X‑T2 e X‑T3 pos­su­em ain­da a pos­si­bi­li­da­de de esco­lher o modo all.

Dos 3 modos dis­po­ní­veis o que mos­trou mais efi­caz foi o foco à zona com tama­nho inter­mé­dio. Curi­o­sa­men­te quan­do opta­mos pelo modo All a foca­gem tor­nou-se qua­se sem falhas. Mui­to rápi­da e pre­ci­sa.

Resultados em Imagens

Come­ça­mos jus­ta­men­te pelo foco e niti­dez. as ima­gens apre­sen­ta­das na gale­ria que se segue não tem qual­quer cor­re­ção. Mes­mo aque­las que o pro­gra­ma de edi­ção de ima­gem pode­ria auto­ma­ti­ca­men­te imple­men­tar, foram anu­la­das. Os resul­ta­dos sal­tam à vis­ta.

Ruido a ISO elevado, diferença claro escuro com pouca luz.

O Jogo que Fran­ces Tia­foe dis­pu­tou no dia 30 de Abril tinha todas as con­di­ci­o­nan­tes para um bom desa­fio à X‑T3 com a XF 100 – 400.

O jogo rea­li­za­do já depois das 18 horas, acon­te­cia numa altu­ra do dia onde a luz natu­ral come­ça­va a escas­se­ar e a arti­fi­ci­al ain­da não esta­va liga­da. Para além dis­so o tom de pele de Fran­ces, por ser negro, absor­ve mui­ta luz e cria difi­cul­da­des na medi­ção da expo­si­ção para a câma­ra. a Câma­ra foi uti­li­za­da com o sis­te­ma de medi­ção matri­ci­al.

A foto de João Domin­gues foi tira­da na con­fe­rên­cia de impren­sa a 12.800 ISO. Com ela pre­ten­de-se demons­trar o bai­xo nível de ruí­do paten­te na ima­gem, con­si­de­ran­do o ele­va­do ISO uti­li­za­do. Cha­ma­mos a aten­ção para a qua­li­da­de dos por­me­no­res paten­tes na ima­gem.

Imagens em sequência

Nas ima­gens que se seguem pre­ten­de­mos mos­trar dois aspec­tos: a capa­ci­da­de de colo­ca­ção da bola den­tro do enqua­dra­men­to no mai­or núme­ro de ima­gens e a capa­ci­da­de de o foco acom­pa­nhar essas mes­mas ima­gens. Nas ima­gens que se seguem pre­ten­de­mos mos­trar dois aspec­tos: a capa­ci­da­de de colo­ca­ção da bola den­tro do enqua­dra­men­to no mai­or núme­ro de ima­gens e a capa­ci­da­de de o foco acom­pa­nhar essas mes­mas ima­gens.

A capa­ci­da­de de colo­car a bola den­tro do enqua­dra­men­to não depen­de só do mate­ri­al com que tra­ba­lha­mos, mas mui­to do dedo/olhar do fotó­gra­fo e da posi­ção esco­lhi­da. Ambas estas con­di­ci­o­nan­tes esta­vam resol­vi­das à par­ti­da, pois tan­to o Rui Eli­as, como eu, já reu­ni­mos expe­ri­ên­cia quan­to bas­te para que estes dois aspec­tos não sejam pos­tos em cau­sa.

Na sequên­cia aci­ma, em que João Sou­sa bate a bola, esta­mos colo­ca­dos exac­ta­men­te no can­to opos­to ao joga­dor. A dis­tân­cia focal uti­li­za­da é de 227mm. a bola apa­re­ce em três ima­gens estan­do foca­da na pri­mei­ra, no limi­te do foco na segun­da e fora de foco na ter­cei­ra. Em todas as cin­co ima­gens o joga­dor está foca­do.

Na sequên­cia que se segue, esta­mos do mes­mo lado do cam­po de Pablo Cue­vas e ligei­ra­men­te atrás da sua posi­ção em cam­po. Encon­tra­mo-nos mui­to pró­xi­mos do joga­dor e a dis­tân­cia focal usa­da foi de 100mm. Nes­tas cir­cuns­tân­ci­as a cap­ta­ção da bola é mais difí­cil. Nes­te caso a ima­gem foi rea­li­za­da a 1/6400s que em cer­tas cir­cuns­tân­ci­as, pode tor­nar per­cep­tí­vel algum arras­ta­men­to da bola.

Cue­vas encon­tra-se foca­do em todas as ima­gem. A bola sur­ge na segun­da e ter­cei­ra foto­gra­fia. Não estan­do per­fei­ta­men­te níti­da, mas pare­ce-nos devi­do ao arras­ta­men­to.

Na últi­ma sequên­cia que apre­sen­ta­mos, vol­ta­mos a estar no can­to opos­to de Ste­fa­nos Tsit­si­pas. A dis­tân­cia focal é de 219mm e Tsit­si­pas encon­tra-se foca­do em todas as ima­gens. a bola sur­ge em 4 das 5 ima­gens mos­tra­das, encon­tran­do-se foca­da nas ima­gens 2 e 3.

Conclusões

Mui­to bem; é ver­da­de que a a Fuji­film XT‑3 (mes­mo a X‑T2) não se pode bater com uma Canon EOSDX (MKII). Se é um fotó­gra­fo cujo o tra­ba­lho é, diga­mos 85%, des­por­to de acção; se o seu bud­get é ili­mi­ta­do e se o peso do mate­ri­al que car­re­ga é des­pre­zí­vel; então, a Fuji­film X‑T3 não é para si.

No entan­to se um ou mais dos três requi­si­tos aci­ma men­ci­o­na­dos não se cum­prir, então a Fuji­film X‑T3 com­ple­men­ta­da por qual­quer das opti­cas Fuji­non do sis­te­ma X que estão à dis­po­si­ção do mer­ca­do, é a sua opção mais acer­ta­da.

O sis­te­ma con­se­gue com o pre­ço que é pra­ti­ca­do, por à dis­po­si­ção do fotó­gra­fo avan­ça­do, recur­sos pró­pri­os de câma­ras pro­fis­si­o­nais e, à dis­po­si­ção do pro­fis­si­o­nal, os recur­sos que neces­si­ta sem que, para isso tenha que estou­rar com o seu orça­men­to.

Para além do pre­ço, é extre­ma­men­te leve. A minha actu­al X‑T2 com objec­ti­va mon­ta­da, pesa meta­de do cor­po da minha EOS 1D MKII N (que guar­dei como recor­da­ção).

Acre­di­tem que o fac­tor peso é mui­to impor­tan­te. Sobre­tu­do quan­do o nos­so tra­ba­lho nos obri­ga a cons­tan­tes des­lo­ca­ções a pé, por ter­re­nos nem sem­pre mui­to ami­gos do fotó­gra­fo.

Em 9 dias de Mil­len­nium Esto­ril Open,Fuji­film X‑T3 rea­li­zou 27724 dis­pa­ros, levou com ven­to e pó nor­mais num even­to ao ar-livre que decor­re em ter­ra bati­da e nem por um só momen­to nos falhou. Mais, uma das nos­sas mai­o­res pre­o­cu­pa­ções, o con­su­mo de bate­ri­as, aca­bou por nem ser um pro­ble­ma. De fac­to, não hou­ve um úni­co dia em que esgo­tas­se duas bate­ri­as e mes­mo quan­do era neces­sá­rio mudá-las em ple­no jogo, o pro­ces­so reve­lou-se mui­to sim­ples. Subli­nhe-se que em todos os dias a X‑T3 este­ve sujei­ta a um tra­ta­men­to inten­si­vo.

Na minha opi­nião, a ques­tão do sen­sor ser um APS‑C e não um Full Fra­me (FF), con­ti­nua a ser uma fal­sa ques­tão, ou se pre­fe­ri­rem uma ques­tão de mar­ke­ting.

A qua­li­da­de das ima­gens a ISO ele­va­do não são jus­ti­fi­ca­ção para a opção por uma FF. Pelo menos se a alter­na­ti­va for a Fuji­film X‑T3 (ou mes­mo a X‑T2). Mes­mo para foto­gra­fia arqui­te­tó­ni­ca, onde o espa­ço pode ser limi­ta­do, a Fuji­film con­se­gue dar res­pos­ta atra­vés da sua objec­ti­va XF 8 – 16 F2.8 R. Objec­ti­va dis­pen­di­o­sa? Sim, mas o con­jun­to da X‑T3 com a XF 8 – 16 f2.8 R, ain­da assim, fica con­si­de­ra­vel­men­te mais bara­to do que a alter­na­ti­va de uma Canon 5D MK IV com a Canon EF 11 – 24 F4 L(cer­ca de 6000€ o con­jun­to) ou a Sig­ma 12 – 24 F4 DG HSM ART (cer­ca de 4500€ o con­jun­to).

A ques­tão da ergo­no­mia da máqui­na não foi pro­ble­ma. Tan­to eu como o Rui Eli­as temos mãos gran­des e ambos nos adap­ta­mos bem e sen­ti­mos con­for­tá­veis. Hou­ve cole­gas que expe­ri­men­ta­ram e quei­xa­ram-se que sobra­vam “dois dedos de mão”. Sem pro­ble­ma! A uti­li­za­ção do punho VG-XT3, para além de melho­rar a ergo­no­mia, trás um acrés­ci­mo de ener­gia ao per­mi­tir jun­tar duas bate­ri­as à que a máqui­na já pos­sui (sim as 3 fun­ci­o­nam em con­jun­to).

Logo, em nos­sa opi­nião e face à expe­ri­ên­cia acu­mu­la­da a Fuji­film X‑T3 é uma alter­na­ti­va a con­si­de­rar mui­to seri­a­men­te. Seja um foto­gra­fo que está a ini­ci­ar car­rei­ra, ou um fotó­gra­fo a pen­sar num upgra­de de mate­ri­al.

Uma nota final para os ser­vi­ços de assis­tên­cia pres­ta­dos pela PM2S Ibé­ria.

A minha Fuji­film X‑T2 seguiu para a manu­ten­ção neces­sá­ria após um even­to des­tes. Revi­são geral e lim­pe­za. Seguiu via cor­reio para o Por­to na ter­ça-fei­ra de manhã e vol­tou na sex­ta antes do almo­ço. Lim­pa, revis­ta e pron­ta para o que se segue. Ser­vi­ço de exce­lên­cia.