Cartas para a minha filha — Bases da Fotografia — Abertura e Velocidade

Fotografia

Cartas para a minha filha — Bases da Fotografia — Abertura e Velocidade

Termos que precisas de entender.

Aber­tu­ra (Av): Aber­tu­ra do diafrag­ma, maior ou menor diâmetro de aber­tu­ra do diafrag­ma. Depen­den­do da aber­tu­ra, vai entrar mais ou menos luz para sen­si­bi­lizar o sen­sor. Mede-se em pon­tos de diafrag­ma que podem ser de 1,2 – 2 – 2,8 – 4 – 5,6 – 8 – 11 – 16 – 22 … Por cada pon­to de diafrag­ma a mais, este “fecha” (diâmetro menor). Por cada pon­to do diafrag­ma a menos, este “abre” (diâmetro maior). Quan­do pas­samos de 4 para 5.6, dize­mos que fechamos um diafrag­ma. Quan­do pas­samos de 5.6 para 4, abri­mos um diafrag­ma. Os pon­tos de diafrag­ma são chama­dos números F (f2.8, f4, f5.6…)

A aber­tu­ra tem influên­cia na pro­fun­di­dade de cam­po (algo que falare­mos mais tarde), ou seja, na quan­ti­dade de planos de imagem abrangi­dos pelo foco. Nos extremos, um diafrag­ma muito fecha­do (16 ou 22) faz com que os planos da imagem (des­de o 1º plano ao plano de fun­do) este­jam todos foca­dos. Um diafrag­ma de 2.8 ou 4, fará com que ape­nas o plano foca­do (ou parte dele) este­ja níti­do.

Planos de imagem: Vamos falar dis­to mais tarde, mas ago­ra é ape­nas uma noção impor­tante. Numa foto de pais­agem tens uma flor, por trás tens um rio e atrás do rio tens vários cav­a­l­os a pas­tar. No fun­do tens um con­jun­to de mon­tan­has com neve. A flor é o 1º plano, o rio está no 2º plano ‚os cav­a­l­os estão no 3º plano e as mon­tan­has estão no plano de fun­do. TODAS as fotografias têm, pelo menos um 1º plano e um plano de fun­do. Quan­do há mais que dois planos numa imagem, o foco pode, ou não, estar no 1º plano.

Veloci­dade (Tv): traduz o tem­po que o diafrag­ma demo­ra a abrir e fechar. Mede-se com base em 1 segun­do, sendo que as veloci­dades mais comuns em fotografia são frações de segun­do.

Toman­do como exem­p­lo a tua máquina ela é capaz de abrir e fechar o diafrag­ma em 1/4000s (4000 avos de segun­do – 1 em 4000 partes de um segun­do) até 30s. Para que servem as fotos com muito tem­po de aber­tu­ra? Para difer­entes tipos de fotografia, como a fotografia noc­tur­na, por exem­p­lo.

A luz que entra no sen­sor depende da aber­tu­ra (quan­to ele abre) e da veloci­dade (quão depres­sa ele abre e fecha).

Uma fotografia bem expos­ta pode ter 2 com­bi­nações de aber­tu­ra e veloci­dade: Aber­tu­ra grande (f2.8) e veloci­dade ráp­i­da (1/200 ou 200), ou aber­tu­ra peque­na (f22) e veloci­dade lenta (1/15 ou 15). Se colo­cares a tua máquina em Av (prefer­ên­cia à aber­tu­ra) e vari­ares as aber­turas, ver­i­fi­cas que na medi­da em que abres, números f mais baixos, a veloci­dade é maior. A baixo de veloci­dades de 1/100, a máquina pode (con­forme o caso) cap­tar arras­ta­men­tos (foto com ras­to) ou pelo movi­men­to do que estás a fotogra­far ou pelo próprio tremer da tua mão (foto trem­i­da). Quan­do assim é, se pos­sív­el, deves usar um monopé ou um tripé.

Os val­ores de veloci­dade que vais encon­trar na tua máquina são 4000, 2000,1500, 1000, 800, 400 200, 160, 125, 100, 60, 30, 15, 10, 8, 6, 4, 0.3s, 0.6s, 1s, 2s, 4s, 8s, 15s e 30s. Entre estes val­ores é nor­mal que encon­tres val­ores intremé­dios.

Muitas vezes não é pos­sív­el encon­trar-mos val­ores de veloci­dade e aber­tu­ra capazes de faz­er uma cor­rec­ta exposição (ou porque esta­mos em ambi­entes muito escuros, ou porque esta­mos em ambi­entes muito claros), ness­es casos, temos de mudar a sen­si­bil­i­dade da máquina que se mede em “iso” (100iso, 200iso, … 800iso, 1600iso, 3200iso, 6400iso …) quan­to mais alto é o iso, mais o sen­sor é sen­sív­el à luz. Um val­or muito alto de iso acar­reta maior ruí­do (ou grão) na imagem. Os sen­sores mais mod­er­nos con­seguem val­ores ele­va­dos de iso sem ruí­do.

Quan­do as condições em que te encon­tras não per­mitem usar a com­bi­nação de aber­tu­ra e veloci­dade que pre­tendes, tens de aumen­tar ou diminuir (con­forme este­ja escuro, ou claro) os val­ores do iso.

Por exem­p­lo, no Oceanário fotografaste a 6400iso, mas no Jardim Zoológi­co fotografaste a 100iso. Com a min­ha anti­ga Canon, fotografa­va bem no zoológi­co e muito difi­cil­mente no Oceanário. A capaci­dade de fotogra­far com iso elava­do e sem rui­do, per­mite-te fotogra­far em ambi­entes escuros. No caso de haver mui­ta luz, nor­mal­mente é mais fácil resolver e qual­quer máquina o faz. Quan­do uma fotografia tem pou­ca luz, diz-se que está sub-expos­ta; quan­do tem mui­ta luz, está sobre-expos­ta. Por vezes o fotó­grafo escol­he proposi­tada­mente sobre-expor ou sub-expor uma foto, mas sobre isso falare­mos mais tarde.

Bei­jin­hos e boas fotos.

joaolamares
Photographer since the 80's, editor in chief at JLpress Sport News and Photo. Lives in Sintra, Lisbon, Portugal. He calls himself a generalist, but he loves photograph in studio or in track...
admin@joaolamares.com
2 COMMENTS
  • João Lamares

    Com muito car­in­ho e amor, na real­iza­ção de um son­ho de ver uma das min­has fil­has apaixonar-se pela fotografia. Obri­ga­do

    1. Filipa Sampaio

      A apren­diz e o mestre. Bjin­ho meu fotó­grafo favorito.

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